domingo, 16 de novembro de 2008

CROMOS DOS ANOS 80: OS PROFISSIONAIS DOS SLOWS


As baladas, os denominados slows, foram um clássico dos anos 80. Não havia festa de adolescente que não tivesse o período romântico da dança do par, com o leitor de cassetes a disparar para o ar já acalorado da sala de condóminos os sons inconfundíveis de um “Glory of Love”, o tema de Peter Cetera para o filme Karate Kid II, ou o célebre “We’ve Got Tonight” do canastrão dos românticos Kenny Rogers, em dueto especial com Sheena Easton.

Talvez o filme mais representativo da época, no seu melhor ou no seu pior (conforme as preferências), fosse o musical teen Dirty Dancing (ou Dança Comigo), cuja canção “Time of My Life” (Bill Medley e Jennifer Warnes) terá inspirado uns quantos Patrick Swayzes e umas quantas Jennifer Greys por esse mundo fora.
Mas o profissional-mor dos slows, com uma dedicação incansável ao longo dos anos 80, há que reconhecer, é Phil Collins. Muitos casais que se terão formado nos anos 80 poderão dever-se a este bom homem, produtor em série de baladas de sucesso como “One More Night”, “Separate Lives” ou “A Groovy Kind of Love”. Podia não ter a estatura física tradicional de um crooner mas o ex-baterista dos Genesis foi uma autêntica fábrica de canções ternas.

Mas havia outros batidos no assunto que se deram também bem com os anos 80, como a voz de conhaque de Joe Cocker a abrilhantar umas quantas melodias gentis, o savoir-faire de Elton John, ou Rod Stewart que sempre chamado para arqueiro de flechas, revelou pontaria num número considerável de corações.
Bryan Adams era bastante mais novo mas soube seguir as pisadas de Rod, com uma pinta rebelde de rocker, a recomendável rouquidão vocal e aquele jeito para iluminar serões românticos onde encaixavam na perfeição hits seus como "Heaven".

Bryan Ferry, vindo dos Roxy Music, também se mostrou um entendido nas temáticas de sedução e o resto do mundo ficou a conhecê-lo melhor quando se lembrou de fazer uma canção como "Slave to Love", que se enquadra às mil maravilhas numa das cenas cor-de-rosa do namoro entre Kim Basigner e Mickey Rourke, do polémico filme Nove Semanas e Meia.
O fenómeno one-hit wonder de Jennifer Rush com "The Power of Love" foi momentâneo, mas serviu de inspiração para toda uma carreira como a de Celine Dion e provou que as mulheres têm também uma palavra a dizer em matéria de slows (ou no seu pior, as xaropadas).

Da soul, vieram mais convertidos que se entusiasmaram com esses momentos doces da pop. Que o digam Stevie Wonder e o seu incontornável "I Just Called to Say I Love You", ou acima de tudo Lionel Richie, o crónico visitante da televisão com a sua carteira de êxitos românticos como "Hello" ou "Say You Say Me", com um visual recomendado para a altura: o bigodinho da praxe e uma carapinha bem estendida até ao pescoço.
Texto publicado no Cotonete.
Imagens YouTube de cima para baixo: vídeo de “Time of My Life” de Bill Medley e Jennifer Warnes; vídeo de “Every Beat of My Heart” de Rod Stewart; extracto do filme Nove Semanas e Meia de Adryan Line sonorizado por “Slave to Love de Bryan Ferry; vídeo de “Say You Say Me” de Lionel Richie.
Fotos de cima para baixo: Kenny Rogers; Phil Collins; Jennifer Rush.

2 comentários:

Quim Mané disse...

Mas quem é que não se "safou" com as meninas ao som destes "cromos", não havia festa, ou mesmo discotecas, onde não se fizesse uma "redução de ritmo", para dançar um "slow" bem agarradinho...e resultava!!! Bons velhos tempos...

Gonçalo Palma disse...

Perdoem-nos esta inocência...
Abraço grande!