
A música tem sido uma luz ao fundo do túnel para E, líder dos Eels. O estado de alma de E é o próprio fundo do túnel.
Afectivamente, Mark Oliver Everett (o nome civil de E) tem habitado piso sísmico abalado por tremores de terra de grande magnitude e de demasiada regularidade. A estrutura de E guardou-se exclusivamente para as suas canções. E nesse campo Mark Oliver Everett é um felizardo. Musicalmente, E é membro de uma classe média abonada. Como uma criança que recebe os conjuntos de Playmobil mais caros, E é um prendado pelo seu dom de sobredotado para a melodia pop. Oliver Everett é da elite, e os Eels, por arrastamento, também.
O estado anímico deprimido reflecte-se na voz amarga de E, as letras sobre separações conjugais e envelhecimento são também uma angústia, mas as brilhantes melodias dos Eels, qual varinha mágica, tudo elevam e salvam para um filme duro mas também fascinante e rico em fantasia. É assim o novo e oitavo álbum do grupo, "End Times".
O disco que merece esta prosa foi gravado em quatro pistas e publicado apenas sete meses depois do anterior "Hombre Lobo", o que elucida bem sobre a alta produtividade de Mark Oliver Everett. O cantor mantém aquele ar de patinho feio de quem acha que o mundo lhe deve alguma coisa, mas, em retorno, despeja boas canções como quem diz bom dia.

Quando os Eels apareceram em meados dos anos 90, eram uma injecção criativa de pop-rock indie, electronicamente engenhosa, que rivalizava com Beck em alta. Hoje, os Eels são uma banda mais orgânica e física que mantém o estilo simultaneamente açurado e soturno cuja propriedade foi comprada com o seu mérito autoral. (Vagrant, 2010)
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