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domingo, 7 de dezembro de 2008

EXCITAÇÃO DA SEMANA: LADYHAWKE, «LADYHAWKE»


Ainda o Super Bock em Stock
Às vezes, a ressaca de um festival agarra-se mais às memórias de um concerto de qualidade secundária. É o que está a acontecer comigo no Super Bock em Stock.
Rui Reininho, Lykke Li e os Walkmen deram os concertos que mais me convenceram. Mas a actuação que ficou a remoer a mente foi a da estática Ladyhawke que, com uma banda de bom calibre, deu um concerto simpático, cuja pertinência está a resistir mais do que julgava na minha secção de impulsos sensoriais.

É o concerto de Ladyhawke o que me tem agarrado mais nos dias seguintes. De tal forma, que o consumo do álbum de estreia homónimo tem sido compulsivo e obsessivo, mesmo que meses depois do primeiro contacto.
E que belo álbum é, ponte entre o amor nostálgico pelo synth-pop dos anos 80 e uma hiper-criatividade para um indie prático e acessível para qualquer lar. Só lhe faltou o poder de concisão que foi apanágio do álbum Oracular Spectacular dos electro-freakers MGMT. 10 faixas bastariam, 13 são demais e causam desnecessários desequilíbrios. (Island, 2008)

sábado, 6 de dezembro de 2008

GET UP, STAND UP


Sobre os Walkmen no Super Bock em Stock
Sobre uma belíssima sala chamada Tivoli que tem cadeiras

Gostaria de fazer uma vénia àqueles corajosos que se levantaram, sem pudores e isoladamente, logo à segunda música do concerto, e que em pé se aguentaram durante a mesma. Felizmente, surgiu logo a seguir o rastilho de The Rat (a terceira música do alinhamento) que funcionou como uma mola e levantou toda gente.
Eu que tenho feito figuras idênticas, bem sei que é tramado. Mas há ocasiões rock demasiado sublimes que pedem muito mais do que o conforto de estar sentado. Lembro-me da minha resistência de pé e isolada durante um concerto dos Sonic Youth na Aula Magna (em 1999). Continuo a achar que o problema é das cadeiras (que estão a mais em situações como as descritas) e nunca de um incumprimento cívico.
Há ocasiões rock demasiado sublimes que pedem muito mais do que o conforto de se estar sentado. A experiência mística em que se tornou o concerto dos Walkmen é uma delas. Ainda bem que lhe fizemos justiça.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

AVENIDA DE LIBERDADES


Super Bock em Stock
Pareceu-me ter vingado bem o novo conceito deste festival estreante, que estimulou um corrupio deveras excitante entre várias salas do coração da cidade, mais concretamente na Avenida da Liberdade, entre as noves horas da noite e a uma da manhã.
Pasmei positivamente com o esvaziamento de cadeiras da sala 2 do S. Jorge; achei graça àquele charme londrino de recuperar salas antigas para a música; redescobri com olhos de adulto um teatro pequenino, o Variedades (no Parque Mayer), que no meu corpinho de 7 anos me parecia tão grande aquando de uma visita de estudo de 2ª classe.
A música deixou-me de barriga cheia por esse animado périplo que apenas deixou de fora o carismático clube Maxime. Saí do festival como um português mais orgulhoso, com o presente (os Pontos Negros) e o futuro (os DoisMileOito) do rock nacional. Mas acima de tudo convencido com a óptima forma desse grande ícone da pop nacional chamado Rui Reininho – provocador, swingante, humorado e outra vez tão motivado.
Da neo-zelandesa Ladyhawke, guardo a memória de uma potencial fábrica de êxitos electro-pop. Da sueca Lykke Li, um sentido de palco emancipado à sua idade de 22. De Marcelo Camelo (dos Los Hermanos), a bossanova bucólica e poética. Dos Walkmen, o estado bipolar de um cavalo digno de alguma fábula (arrasadoramente selvagem, comoventemente terno).
E será permitido tirar o chapéu a um organizador gigante, já que o mesmo correu o risco e teve a iniciativa? O louvor a quem de direito: a Música no Coração.
Nas fotos: Lykke Li (em cima) e Rui Reininho.