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sábado, 2 de janeiro de 2010

MELHORES CONCERTOS DE 2009


Dos que pude ver...

1º Patrick Watson no Super Bock em Stock

2º Wild Beasts no Super Bock em Stock

3º Seun Kuti no CCB

4º OqueStrada no Delta Tejo

5º Hadouken! no Alive!

6º JP Simões no Jardim de Inverno do Teatro S. Luiz

7º The Invisible no Super Bock em Stock

8º Fischerspooner no Alive!

9º Sara Tavares no Delta Tejo

10º My Bloody Valentine no Rock One

domingo, 30 de agosto de 2009

SEUN KUTI, ONTEM NO CCB

O groove teve sempre a prioridade, deixando tudo para trás: a melodia, a convenção ocidental de canção e até o protagonismo da estrela da noite, Seun Kuti, que muitas vezes saía da frente do palco. A música de Seun Kuti & Egypt 80 era de uma química que funcionava por várias camadas: as vocalizações de Seun e as respostas em coro uníssono de toda a banda, as batidas a partir de vários pontos do palco, os animados sopros de trompete e saxofones, as guitarrinhas repetitivas, as frenéticas dançarinas. Era uma festa para os ouvidos e para os olhos.

O afrobeat que passou esta noite pelo CCB é o funk antes dele ter nascido, apanhado ainda na barriga maternal que é África. Ter visto ao vivo Seun Kuti foi como ter assistido à ecografia de grande parte da música americana que hoje ouvimos.

Pode ler artigo desenvolvido no Cotonete.

sábado, 24 de janeiro de 2009

EXCITAÇÃO DA SEMANA: SEUN KUTI & EGYPT 80, “MANY THINGS”

Neste seu início de história, Seun Kuti aparece-nos como um afro-revolucionário, pouco agradado com os que ocupam o poder no seu continente e muito menos com o desastre das suas políticas (do início, "Think Africa", ao fim, "African Problems"). As suas crónicas de maldizer (Seun não se fica pelo escárnio) são colunas de guerra opinativas e musicadas, "megafonadas" sobre uma manta de saxofones e de percussões, e sobre uma ninhada de acordes de guitarra obstinadamente gémeos, além de coros femininos que dançam nos nossos ouvidos mesmo sem os vermos.

Álbum de afro-beat? Chapado. Está lá tudo: o estranho paradoxo de uma música de província inspirada nas grandes favelas de uma grande metrópole africana como Lagos (a capital da Nigéria); um minimalismo funk muito majestoso que lhe dá ares de subgénero mais rude de jazz; um groove em alta que nunca se descuida e que faz de Many Things uma festa contínua, sem horas, disposta a percorrer toda a madrugada.

Já vimos do pai este filme. Mas filho de peixe sabe nadar, não sabe copiar. E este é um caso de descendência pelas melhores razões e não de plágio e de subalternização. Seun Kuti é controverso mas não tão louco quanto o pai. Tem um trato mais meigo e menos intempestivo. E opta um controlo da música mais ocidentalizado, evitando durações de mais de dez minutos por tema (costume do pai).

O ritmo é o rastilho, a mensagem é o fogo, e este álbum incendeia almas e corpos. A passagem de testemunho pode ter ainda as impressões digitais do pai muito documentadas. Mas Seun Kuti tem talento e vida para dar mais mil e um virotes a esse testemunho. Para já, sabemos que o testemunho fica muito bem entregue. (Tot Ou Tard, 2008)

Pode ler artigo desenvolvido no site Cotonete.


[“Mosquito Song” ao vivo em Dakar, Senegal, em 2005]