Ainda estou a digerir a desilusão do último filme de Clint Eastwood. Do mais previsível que alguma vez vi, personagens incluídas.
terça-feira, 31 de março de 2009
NO MEU CINEMA: “GRAN TORINO” de CLINT EASTWOOD
Ainda estou a digerir a desilusão do último filme de Clint Eastwood. Do mais previsível que alguma vez vi, personagens incluídas.
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sábado, 28 de março de 2009
AS MELHORES OBRAS DE SEMPRE EM DVD
Lista em contagem decrescente, inspirada num trabalho de selecção dos 50 melhores DVDs de música para votação que decorreu no Cotonete.
3º Rolling Stones - Gimme Shelter
Documentário de Albert and David Maysles sobre o trágico Festival de Altamont, em 1969.
PS - Lista pessoal elaborada no dia 20 de Abril de 2008, que inclui DVDs não formatados para a Região Europeia e exclui obras de ficção (exemplos: ‘biopics' ou musicais).
Documentário de Albert and David Maysles sobre o trágico Festival de Altamont, em 1969.
PS - Lista pessoal elaborada no dia 20 de Abril de 2008, que inclui DVDs não formatados para a Região Europeia e exclui obras de ficção (exemplos: ‘biopics' ou musicais).
quarta-feira, 25 de março de 2009
EXCITAÇÃO DA SEMANA: PHOSPHORESCENT, «SONGS TO WILLIE»
O movimento de embelezamento do country, na sua forma alternativa, continua por parte de uma vaga nascida na década de 70, a que pertence também Phosphorescent, o projecto individual de Matthew Houck.
PS - Quando me preparava para escrever esta excitação, descobri um dado inevitável dos tempos que correm: sim, Matthew Houck, nascido em Athens (a cidade de Georgia de onde vêm os R.E.M. e os B-52’s) também vive em Brooklyn (Nova Iorque), cada vez mais a Greenwich Village do século XXI. Não creio em bruxas, mas lá que elas existem, existem.
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sábado, 21 de março de 2009
AS MELHORES OBRAS DE SEMPRE EM DVD
Lista em contagem decrescente, inspirada num trabalho de selecção dos 50 melhores DVDs de música para votação que decorreu no Cotonete.
4º David Bowie - Best of Bowie
Compilação, de 2002, que reúne todos os videoclips de David Bowie.
PS - Lista pessoal elaborada no dia 20 de Abril de 2008, que inclui DVDs não formatados para a Região Europeia e exclui obras de ficção (exemplos: ‘biopics' ou musicais).
Compilação, de 2002, que reúne todos os videoclips de David Bowie.
PS - Lista pessoal elaborada no dia 20 de Abril de 2008, que inclui DVDs não formatados para a Região Europeia e exclui obras de ficção (exemplos: ‘biopics' ou musicais).
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DVDs: os 100 melhores
quinta-feira, 19 de março de 2009
BRASIL FATAL: CÁSSIA ELLER (1962-2001)
A INFLUÊNCIA
Cássia Eller foi um dos grandes ícones femininos do rock brasileiro. Graças à sua voz grave poderosa, fez a diferença como uma intérprete que deu nova vida a composições de ídolos brasileiros como Cazuza (sobretudo Cazuza), Caetano Veloso, Mutantes, Renato Russo (da Legião Urbana) e Chico Buarque. Mas também de ícones do rock mundial como os Beatles ou Jimi Hendrix.
Carioca (do Rio de Janeiro, portanto), mas de residência itinerante por vários pontos do Brasil ao longo da sua vida, foi na capital Brasília que se revelou, numa carreira musical que, de 1990 (quando o álbum de estreia, homónimo, foi lançado) até ao auge, em 2001, progrediu sempre em crescendo.
Tocadora de violão (baixista pontual), Cássia Eller era uma rocker de inspiração blues que fazia algumas tangentes ao MPB (Música Popular Brasileira). A sua interpretação mais conhecida continua a ser ‘Malandragem’, composta pela dupla Cazuza e Roberto Frejat (que fez maravilhas nos Barão Vermelho), que Ângela Ro Ro recusou antes interpretar. ‘O Segundo Sol’ de Nando Reis (que brilhou nos Titãs) foi outro êxito que se deu bem com o airplay radiofónico e, sobretudo, com o seu público. Outra das interpretação mais populares era ‘Por Enquanto’ (composição de Renato Russo) - na realidade, foi esse o seu primeiro grande êxito.
Em vida, lançou cinco álbuns de estúdio e três ao vivo. “Cássia Eller Acústico”, gravado para a MTV Brasil, foi o álbum mais vendido de sempre, que teve como arranjador Nando Reis.
Eller esteve em grande no Rock in Rio, em 2001, com um enorme à-vontade (e até exibiu os seus seios num acto irreverente à rock & roll mas nunca sensacionalista), numa actuação vespertina que teve como consagração a sua famosa versão de ‘Smells Like Teen Spirit’ dos Nirvana (que o antigo baterista Dave Grohl elogiava).
Mulher brava - chegou a ser assistente de pedreiro - e lésbica assumida, familiarizou os seus admiradores com o seu ar masculino, braços tatuados e cabelo curto (às vezes rapado, às vezes até com crista punk). Está imortalizada como uma das maiores cantoras do Brasil.
A MORTE
A sua faceta mais negra incluía grandes problemas com álcool e drogas. Em 2000, Cássia Eller concluiu uma cura de desintoxicação que durou dois anos. Segundo os relatos da cantora, sentia-se limpa de drogas em 2001.
Mas nesse ano, surge outro problema que o seu sucesso acarretaria: o excesso de trabalho. O ano de 2001, em que actuou no Rock in Rio, estava a ser particularmente desgastante para a cantora. Só nos últimos 7 meses Cássia Eller tinha dado 92 concertos. No Natal que passa com a família em Brasília, Cássia Eller dá sinais de um estado emocional alterado. No dia seguinte, num ataque intempestivo, parte uma porta de vidro que lhe provoca ferimentos na testa (com hematoma) e nas coxas, que permanecem visíveis quando se desloca ao Rio de Janeiro para preparar o concerto do Reveillon naquela cidade.
No dia 28, o ensaio com a sua banda decorre num clima de “cortar à faca”, por causa do mau humor da cantora. Quando a percussionista Elaine Moreira (Lan Lan) a leva a casa de carro, percebe que a cantora não está bem. Mas Cássia Eller prefere passar a noite sozinha no seu apartamento.
Na manhã de 29 de Dezembro, Cássia Eller sente-se mal, queixando-se de enjoos. Telefona a Lan Lan de uma cabine telefónica. A percussionista vem em seu socorro, com mais duas amigas comuns. Segue-se um passeio mas Cássia Eller aumentou as suas queixas, chorando de dores. Chegou a vomitar. Deslocam-se ao hospital.
Por falta de vaga no Centro de Tratamento Intensivo, é internada às 13h00 na clínica Santa Maria, no Rio de Janeiro. Assustada com o número de pessoas que se aglomeravam na clínica, Cássia Eller desesperou e fugiu para o carro minutos antes. O director da clínica, Gedalias Heringer Filho, informa depois a imprensa que Cássia Eller chegou ao centro de saúde “com quadro de desorientação e agitação, tendo evoluído rapidamente para depressão respiratória e parada cardiorrespiratória” (citando o Folha de S. Paulo).
Cássia Eller sofre três paragens cardíacas na clínica. Tenta-se reanimar o corpo. Mas às 18 horas, o seu estado de saúde agrava-se consideravelmente. Às 19h05, é declarado o óbito.
O relatório médico apontou a overdose de drogas como causa da morte. Mas a origem da morte que ganhou mais consistência foi a de stress. As causas do falecimento levantaram tantas suspeitas quanto a assistência médica (desconfiou-se de discriminação no atendimento à cantora durante todo o período de aflição que antecedeu o internamento).
Cássia Eller deixou órfão um filho de oito anos, que ficou aos cuidados da sua companheira amorosa Maria Eugénia Vieira. Chicão, como a mãe Cássia lhe tratava, já tinha perdido o pai,o baixista Otávio Fialho, num acidente de viação, dias antes do seu nascimento.
Postumamente, foi editado o álbum “Dez de Dezembro”. Cássia Eller tinha 39 anos.
Último texto do especial Brasil Fatal, publicado no Cotonete.
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terça-feira, 17 de março de 2009
AS MELHORES OBRAS DE SEMPRE EM DVD
Lista em contagem decrescente, inspirada num trabalho de selecção dos 50 melhores DVDs de música para votação que decorreu no Cotonete.
5º Miles Davis Quintet - European Tour 1967
Registo filmado de duas actuações do trompetista na Suécia e Alemanha.
PS - Lista pessoal elaborada no dia 20 de Abril de 2008, que inclui DVDs não formatados para a Região Europeia e exclui obras de ficção (exemplos: ‘biopics' ou musicais).
5º Miles Davis Quintet - European Tour 1967Registo filmado de duas actuações do trompetista na Suécia e Alemanha.
PS - Lista pessoal elaborada no dia 20 de Abril de 2008, que inclui DVDs não formatados para a Região Europeia e exclui obras de ficção (exemplos: ‘biopics' ou musicais).
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Miles Davis
sábado, 14 de março de 2009
BRASIL FATAL: CHICO SCIENCE (1966-1997)
A INFLUÊNCIA
Durante a sua curta exposição pública, Chico Science conseguiu ser o músico brasileiro mais revolucionário dos anos 90. Com o apoio da sua banda, a Nação Zumbi, Chico Science foi a maior lenda de um género novo: o mangue beat, um híbrido muito brasileiro e contemporâneo dos ritmos nordestinos do coco de roda e do maracatu com estilos mais globalizados como o rock, o funk, a electrónica e o hip hop.
Baptizado como Francisco de Assis França, ficou com o nome de Chico Science por causa de alcunhas locais como “cientista dos ritmos” - mimo dos seus companheiros de rua da sua cidade-natal de Olinda, do estado nordestino do Pernambuco.
Chico Science tinha mente politizada de contra-poder e curiosidade de historiador. Era o antropólogo brasileiro no músico, o musicólogo no artista. Defensor da cultura de miscigenação e da emancipação dos negros no Brasil, Chico Science passou muito bem da teoria à prática dando voz de rapper àquele choque de percussão pernambucana do maracatu com o groove funk de guitarras ametaladas. Como se Gilberto Gil, um grupo folclórico de maracatu e os Red Hot Chili Peppers de repente se cruzassem na cabeça de Chico Science. Eis o mangue beat no seu esplendor, como se fosse um derivado mulato e cosmopolita do afrobeat mitificado por Fela Kuti.
Em vida, Chico Science & Nação Zumbi lançaram dois álbuns "Da Lama ao Caos" e o mais electrónico "Afrociberdelia" que, além dos efeitos internos no Brasil, garantiram uma projecção internacional interessante. Science e a sua banda tiveram ainda tempo para algumas digressões internacionais: passaram pela Europa, e actuaram num Central Park bem composto, em Nova Iorque.
Na memória, fica a imagem de um homem enérgico em palco, com aquele ar folião de roupas carnavalescas, óculos escuros e panamá, que mexeu com a música brasileira.
A MORTE
Em 1997, Chico Science estava em grande. A ideia seguinte que tinha em mente era a de tentar buscar referências eruditas. Mas, no dia 2 de Fevereiro, quando conduzia o seu carro na estrada que ligava as cidades do Recife com Olinda, embate num poste do lado oposto ao do volante. Chico Science, que ia sozinho na viatura, morre no acidente.
O Brasil musical mais atento às vanguardas chorou a sua morte. O choque ultrapassou fronteiras: em Portugal, o radialista Henrique Amaro (da estação pública Antena 3), mais atento às novas tendências da música brasileira e admirador de Chico Science, não se cansou de destacar a tragédia desta perca. Ninguém podia estar preparado para uma obra tão abruptamente interrompida, com tantas ideias que ficaram por dar.
Dez anos depois do acidente, a família recebeu da Fiat uma indemnização, numa soma record nacional para situações de danos físicos em automóveis, num valor que não é público, pelo facto do cinto do Uno Mille que Chico Science conduzia ter rompido no momento do embate. Metade do dinheiro foi para a filha de 16 anos (em 2007), Tainã, outra metade para os pais.
A Nação Zumbi continuou e Jorge dü Peixe assumiu as vocalizações principais. O grupo chegou a actuar em Portugal, num festival na Praça Sony, em Lisboa, no ano de 2000.
Em homenagem a Chico Science, foi instalada uma escultura de um caranguejo (símbolo do riquíssimo ecossistema tropical dos manguezais, em Pernambuco) nas margens do rio da cidade de Recife, que ficaria conhecida como Manguetown.
Texto que faz parte do especial Brasil Fatal, publicado no Cotonete.
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